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Por Adhemir Marthins

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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O QUE SIGNIFICA CATEQUISTA MISTAGOGO?

Mistagogia é um termo grego que significa “conduzir ao mistério”. Assim, o catequista mistagogo é um instrumento que facilita o encontro dos seus catequizandos com o mistério divino.

Cabe explicitar que este “mistério” não é um segredo inatingível. O Novo Testamento define “mistério” como o desígnio divino oculto em Deus desde todos os séculos (Ef 3,9), agora revelado em Jesus Cristo (Cl 1,26-27). Portanto, ser conduzido ao mistério é encontrar-se com a pessoa de Jesus Cristo, acolhendo o desígnio do Pai na força do Espírito Santo. A experiência cristã, portanto, não é um sentimentalismo vazio, nem um mero aprendizado teórico, mas a experiência viva que leva o fiel a aderir ao Reino de Deus, o projeto do Pai, assumindo a dinâmica renovadora da Páscoa: o mistério de morte e ressurreição (Rm 6,8-11; Fl 3,10-11).
 
Caminhos mistagógicos
 
O catequista mistagogo é aquele que se encontrou com o Senhor, assumiu o seu projeto em sua prática de vida e deseja, por um ímpeto interno, anunciar a experiência realizada (1Cor 9,16). Portanto, não basta mudar os métodos, se não tivermos catequistas que transmitam a verdadeira experiência de encontro com Cristo.

Três são os caminhos que contribuem para uma catequese mistagógica:

a) Oração. A catequese deve ser “permeada por um clima de oração” (DGC 85). O encontro catequético não deve se parecer com uma aula ou palestra, mas deve ser um espaço aberto para o diálogo com Deus. Qualquer conteúdo exposto deve ser interiorizado pela prece, sobretudo valorizando-se a espontaneidade e a criatividade.

b) Liturgia. Segundo o Concílio Vaticano II, toda a atividade da Igreja tem suas forças arraigadas na Liturgia. A catequese deve conduzir à vivência litúrgica, pois esta sintetiza a experiência cristã. Sobretudo aqui, destaca-se o uso de símbolos e gestos litúrgicos, pois estes afetam áreas do ser humano que o conteúdo racional não alcança. Uma catequese mais celebrativa e orante traz a força do significado dos ritos para dentro da catequese. Em nossa arquidiocese incentivamos o uso do Itinerário Celebrativo como componente essencial do itinerário catequético.
 
c) Palavra. Tanto a tradição da Igreja como as Escrituras são fonte da Palavra de Deus. Sobretudo, destaca-se a Bíblia, “livro por excelência da catequese”, como fonte primordial da atividade catequética. Ainda carecemos de uma catequese mais bíblica, do uso frequente da Escritura nos encontros, de uma intimidade maior no uso da Bíblia por parte do povo católico. Os documentos da Igreja têm insistido sobre a prática da leitura orante, como um caminho eficaz para o uso da Escritura na pastoral.

(*) Pe. Roberto Nentwig
(*) Coordenador da Comissão da Animação Bíblico-Catequética

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

É PROIBIDO AJOELHAR NA HORA DA CONSAGRAÇÃO?



“Para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho dos seres celestes, dos terrestres e dos que vivem sob a terra, e, para glória de Deus, o Pai, toda língua confesse: Jesus é o Senhor.” (Fl 2,10)
 
Muitas pessoas perguntam ou ficam na dúvida se na hora da Consagração, na Santa Missa, é proibido ajoelhar, pois, segundo essas pessoas, alguns sacerdotes têm proibido os fiéis de se ajoelharem, dizendo que este momento não é um momento de Adoração. Alguns sacerdotes, segundo algumas informações, estão até retirando os suportes dos bancos, onde se ajoelha. Deveria sim, haver uma motivação para que nos ajoelhemos diante de um momento tão especial e solene. Para clarear a questão verifiquemos o que diz o Missal Romano. Ele nos manda que ajoelhemos no momento da Consagração. Veja o que ele diz:

21 – “Ajoelhem-se durante a Consagração, a não ser que a falta de espaço ou o grande número de presentes ou outras causas razoáveis não o permitam.” (Ed. Paulus, 6ª Edição, pág. 36; n. 21)

Fica, portanto, claro, que os fiéis devem se ajoelhar na hora da Consagração, pois, normalmente não faltam espaços e condições nas nossas igrejas para isto. O que falta muitas vezes é o cuidado, o zelo e uma catequese amadurecida sobre a Santa Missa. "Não querer ajoelhar-se diante do Deus Vivo e presente na Eucaristia é sinal de que algo desordenado está tomando conta da Igreja. O cristão católico que conhece a sua religião e sabe a importância da adesão ao Magistério da Igreja, à fé dos Apóstolos e às Sagradas Escrituras jamais deixará de enxergar no pão e no vinho consagrados a presença real Daquele que está vivo no meio nós."

Nada há de mais importante na vida do cristão católico que a celebração da Santa Missa e, por conseguinte, a consagração. Portanto, ajoelhar-se nesse momento e adorar Aquele que é, deveria ser tão natural quanto respirar. 

Evidentemente que o momento da Consagração não é para uma adoração prolongada do Santíssimo Sacramento, para isto deve se fazer a Adoração ao Santíssimo; mas, quando o Sacerdote levanta a sagrada Hóstia e o Cálice, deve-se prestar-lhes uma breve adoração, conforme nos recomenda S. Pedro Julião Eymard, em suas preciosas obras sobre a sagrada Eucaristia.

FONTE: Para Entender e Celebrar a Liturgia. Felipe Aquino. Editora Cléofas.

domingo, 18 de outubro de 2015

MARIA... SOMOS TODOS SEUS FILHOS

As mães se preocupam com seus filhos. “Como Mãe de Deus, Maria é a mãe por excelência. Então, como todas as mães são indescritíveis, ela ainda mais o será. Como todas as mães se dão, ela muito mais se dará.” Como mãe, se preocupou com Jesus quando ele ainda adolescente se perdeu dela (Lc, 2,41-47). Nas Bodas de Caná fica inquieta quanto ao andamento da festa (Jo 2,1-11). Nunca se afastou dele, estava sempre atenta aos acontecimentos em torno de seu filho. Suas preocupações não terminaram com a morte de Jesus. O próprio filho a entrega a nós através de João aos pés da Cruz (Jo 19,26-27). Suas preocupações com o Filho então se estende até nós hoje. O Papa Leão Magno afirmou algo importante sobre nossa filiação de Deus. “Este é um presente que excede todos os outros: Deus chama o homem de Seu filho, e o homem chama a Deus de Pai”. Portanto, se Maria é a Mãe de Deus, naturalmente também é nossa Mãe, por essa razão se preocupa conosco. Se compartilhamos da realeza de seu Filho, como afirmava Santo Agostinho “todos os homens são um em Cristo, e pela unidade dos cristãos constituem um só homem”, portanto, compartilhamos tudo, inclusive Sua mãe. Isso fica ainda melhor entendido quando lemos o que o Papa Pio X disse a respeito:

“Pois não é Maria, a Mãe de Cristo? Em seguida, ela é nossa Mãe também. E nós temos que, na verdade, afirmar que Cristo, o Verbo feito carne, é o Salvador da humanidade também. Ele tinha um corpo físico como o de qualquer outro homem, e novamente como Salvador da família humana, Ele tinha um corpo espiritual e místico, ou seja, a sociedade daqueles que acreditam em Cristo. ‘Nós somos muitos, mas formamos um só corpo em Cristo’ (Rm 12,5). Agora, a Santíssima Virgem não concebeu o Eterno Filho de Deus simplesmente para que ele se fizesse homem a partir dela, mas também para que, por meio da natureza assumida dela, Ele se tornasse o Redentor dos homens. Por que razão o Anjo disse aos pastores: “Hoje nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2,11)? Pois, no mesmo santo e castíssimo seio da Mãe de Cristo tornou para Si a carne, e se uniram a Si o corpo espiritual daqueles que estava para n’Ele crer. Por isso, Maria, trazendo o Salvador em seu ventre, pode-se dizer, trazia também a todos aqueles cuja vida estava contida na vida do salvador. Portanto, todos nós que estamos unidos a Cristo e, como diz o Apóstolo, somos membros do Seu corpo, da Sua carne, e de Seus ossos (Ef 5,30), estamos unidos no ventre de Maria como um corpo unido à sua cabeça. Assim, embora de um modo espiritual e místico, somos todos filhos de Maria, e ela é a Mãe de todos nós.”

Como não se preocuparia conosco? Só há um desejo no coração desta mãe: que nenhum de seus filhos se perca, por isso cuida de nós, reza por nós, e nos leva ao cumprimento na realização da vida. 

O Concílio Vaticano II nos ensina: “Esta maternidade de Maria na ordem da graça perdura sem interrupção, desde o consentimento, que fielmente deu na anunciação e que manteve inabalável junto da Cruz, até a consumação perpétua de todos os eleitos. De fato, depois de elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro e medianeira (Lumen Gentium 62, citado no Catecismo no número 969).” O Pai ao unir o coração de Maria ao de seu filho, especialmente no Calvário, torna a sua Santíssima Mãe, por excelência, nossa Medianeira. 

Fica aqui ao final desta pequena catequese sobre Maria algumas questões: o que está acontecendo com o mundo? Porque estas manifestações de sua presença materna neste último século em todos os Continentes? Qual o significado de suas aparições e de sua mensagem em cada uma delas? Porque esta presença cada vez mais frequente? Nós, seus filhos estamos, continuamos a nos afastar de casa? Quais razões tem nos motivado ao distanciamento da casa paterna?

Um filho quando sai de casa com certeza faz o coração de uma mãe não apenas a se preocupar, mas também a chorar... Carinhosamente, mas preocupada com cada um de nós, está dizendo: filhos, voltem para casa.

FONTE
Salve, Santa Rainha. A Mãe de Deus na Palavra de Deus. Scott Hahn. Editora Cléofas.
Sagrada Escritura. Editora Vozes. 

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A IGREJA CATÓLICA E A SAGRADA ESCRITURA

Ontem, último domingo do mês de Setembro celebramos o dia da Bíblia. Certamente durante este mês ouvimos sempre alguma palavra sobre ela, alguma informação que não sabíamos, mas em se tratando da Palavra de Deus, de sua Carta endereçada a cada um de nós, é necessário que continuemos permanentemente em contato com ela, porque "toda a Escritura é inspirada por Deus, é útil para ensinar, para persuadir, para corrigir e formar na justiça" (2Tm 3,16). Portanto ela é um instrumento indispensável para a nossa santificação.

Abaixo uma pequena Catequese para conhecermos um pouco mais a Sagrada Escritura.

Se não fosse a Igreja Católica, não existiria a Bíblia como a temos hoje, com os 72 livros canônicos, isto é, inspirados pelo Espírito Santo.

“Foi a Tradição apostólica que fez a Igreja discernir que escritos deviam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados” (Dei Verbum 8).

Portanto, sem a Tradição da Igreja não teríamos a Bíblia. Santo Agostinho dizia: “Eu não acreditaria no Evangelho, se a isso não me levasse a autoridade da Igreja Católica”(CIC,119).

Por que a Bíblia católica é diferente da protestante?
Esta tem apenas 66 livros porque Lutero e, principalmente os seus seguidores,  rejeitaram os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácida), 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10,4-16; Daniel 3,24-20; 13-14.

No ano 100 o Sínodo de Jâmnia (ou Jabnes):
(1) deveria ter sido escrito na Terra Santa;
(2) escrito somente em hebraico, nem aramaico e nem grego;
(3) escrito antes de Esdras (455-428 a.C.);
(4) sem contradição com a Torá ou lei de Moisés.

Versão dos Setenta: Alexandria – 200 anos antes de Cristo, incluiu os livros que os judeus de Jâmnia, por critérios nacionalistas, rejeitaram. Havia então no início do Cristianismo duas Bíblias judaicas: uma da Palestina (restrita) e a Alexandrina (completa – Versão dos LXX).

Os Apóstolos e Evangelistas optaram pela Bíblia completa dos Setenta (Alexandrina), considerando canônicos os livros rejeitados em Jâmnia.

Das 350 citações do Antigo Testamento que há no Novo, 300 são tiradas da Versão dos Setenta, o que mostra o uso da Bíblia completa pelos apóstolos.

Verificamos também que nos livros do Novo Testamento há citações dos livros que os judeus nacionalistas da Palestina rejeitaram. Por exemplo: Rom 1,12-32 se refere a Sb 13,1-9;  Rom 13,1 a  Sb 6,3;  Mt 27,43 a Sb 2, 13.18; Tg 1,19 a Eclo 5,11;  Mt 11,29s a Eclo 51,23-30;  Hb 11,34 a 2 Mac 6,18; 7,42;  Ap 8,2 a Tb 12,15.

Nos mais antigos escritos dos santos Padres da Igreja (patrística) os livros rejeitados pelos protestantes (deutero-canônicos) são citados como Sagrada Escritura.

São Clemente de Roma, Papa, no ano de 95 escreveu a Carta aos Coríntios, citando Judite, Sabedoria, fragmentos de Daniel, Tobias e Eclesiástico; livros rejeitados pelos protestantes.
Pastor de Hermas, no ano 140, faz amplo uso de Eclesiástico, e do 2 Macabeus;

Santo Hipólito (†234), comenta o Livro de Daniel com os fragmentos deuterocanônicos rejeitados pelos protestantes, e cita como Sagrada Escritura Sabedoria, Baruc, Tobias, 1 e 2 Macabeus.

Vários Concílios confirmaram isto: os Concílios regionais de Hipona (ano 393); Cartago II (397), Cartago IV (419), Trulos (692). Principalmente os Concílios ecumênicos de Florença (1442), Trento (1546) e Vaticano I (1870).

Lutero, ao traduzir a Bíblia para o alemão, traduziu também os sete livros (deuterocanônicos) na sua edição de 1534, e as Sociedades Biblícas protestantes, até o século XIX incluíam os sete livros nas edições da Bíblia.

“Pela Tradição torna-se conhecido à Igreja o Cânon completo dos livros sagrados e as próprias Sagradas Escrituras são nelas cada vez mais profundamente compreendidas  e  se fazem sem cessar, atuantes.” (DV,8).

A Bíblia não define o seu catálogo; isto é, não há um livro da Bíblia que diga qual é o índice dela. Assim, este só pode ter sido feito pela Tradição dos apóstolos, pela tradição oral que de geração em geração chegou até nós.

A Vulgata – O Papa São Dâmaso (366-384), no século IV, pediu a S.Jerônimo que fizesse uma revisão das muitas traduções latinas que havia da Bíblia. São Jerônimo revisou o texto grego do Novo Testamento e traduziu do hebraico o Antigo Testamento, dando origem ao texto latino chamado de Vulgata, usado até hoje.

Fonte: A Sagrada Escritura. Prof. Felipe Aquino. Editora Cléofas.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O QUE É A SAGRADA TRADIÇÃO APOSTÓLICA?

A Santa Doutrina da Igreja Católica, Esposa do Cordeiro, onde Cristo está presente e que é um prolongamento do Mistério de sua Encarnação é o que o vamos procurar entender aqui. Igreja na qual estamos inseridos cuja cabeça é Cristo e que a torna sempre viva e ativa ao longo da História. Como nos ensina (LG, 4)  no Concilium Vaticano II, a Igreja é "Sacramento Universal da Salvação da Humanidade."

Para entendermos melhor como está firmada a fé da Igreja Católica que professamos, temos três pontos fundamentais ou pilares que a sustentam:

1. A SAGRADA ESCRITURA... A Revelação Divina Escrita.

2. A SAGRADA TRADIÇÃO... A Revelação Divina transmitida Oralmente.

3. O SAGRADO MAGISTÉRIO... O Ensinamento da Igreja.

Hoje, vamos entender mesmo que rapidamente o que significa a Tradição Apostólica. 

Em síntese, a Tradição Apostólica é tudo aquilo que veio dos Apóstolos, ou seja, tudo aquilo que ela recebeu dos Apóstolos e que a eles foi confiado diretamente pelo próprio Jesus Cristo. Não se trata de tradição dos homens, mas somente daquilo que se refere à nossa salvação, e que nos foi deixado pelo Senhor, e que não foi escrito na Bíblia. A Igreja, no Concílio Vaticano II, através de um documento chamado “Dei Verbum” reconhece que a Sagrada Tradição tem o mesmo peso de Revelação do que a Sagrada Escritura, pois vem de Cristo através dos Apóstolos e chegou até nós. Sendo assim, chamamos também a isso de Tradição Oral.

Portanto, a Igreja Católica não se guia apenas pela Bíblia (a Revelação escrita), mas também pela Revelação oral que chegou até nós sem esta última, onde nem mesmo a Bíblia existiria como a temos hoje se não fosse esta Tradição oral, ou seja, ela foi berçada e redigida pela Igreja sob a inspiração do Espírito Santo.

A transmissão do Evangelho, feita pelos Apóstolos em um primeiro momento foi por via oral e depois de forma escrita. Os Evangelhos começaram a serem escritos aproximadamente 20 anos após a morte de Jesus. No ensino oral os Apóstolos transmitiram aquelas coisas que ou receberam das palavras, da convivência e das obras de Cristo ou foram entendendo das sugestões do Espírito Santo, como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica no número 76.

Para que você compreenda ainda melhor sobre isso, leia em São João o Capítulo 21,25. E ainda:

2Ts 2,5
2Ts 2,15
2Tm 2,2
Jo20,30s

Nestes fragmentos da Sagrada Escritura fica claro para nós que os Apóstolos só escreveram o essencial da Mensagem de Cristo. E que de alguma forma a Sagrada Escritura nos encaminha para as fontes orais da Palavra de Deus.

A isso então a Igreja Chama de o DEPÓSITO DA FÉ. O que é isso? 

O Patrimônio Sagrado da nossa Fé, ou seja, tudo aquilo que está contido na Sagrada Escritura e na Sagrada Tradição Apostólica, e que foi confiado pelos Apóstolos à totalidade da Igreja do que aprenderam diretamente de Jesus Cristo.
O Santo Papa João Paulo II emitiu um documento oficial chamado "Fidei Depositum" (Depósito da fé), que explica sobre a missão da guarda da verdadeira doutrina, confiada à Igreja Católica pelo próprio Cristo e que a Igreja vêm cumprindo em todos os tempos.

Como está escrito em 1Tm 3,15, "A Igreja é a coluna e o fundamento da Verdade." Ainda em 1Tm 2,4, "Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade." Portanto, sem ouvir a Igreja não se pode chegar ao conhecimento da verdade que salva, pois a ela o Senhor confiou esta mesma verdade.

Ainda sobre este tema há muito sobre o que os primeiros Padres da Igreja (aqueles homens da Igreja que viveram entre os séculos II e VII depois de Cristo) disseram sobre a Santa Tradição da Igreja. Mas isso é assunto para outro tema relacionando à Patrística.

Fonte: A Sagrada Tradição. Prof. Felipe Aquino. Editora Cléofas.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

VIDA PARA ALÉM DA MORTE

O que acontece conosco após a morte? Existe mesmo vida depois desta experiência na terra? Será que nós morremos e voltamos outras vezes para irmos nos purificando até ficarmos perfeitos para Deus? Estas perguntas povoam a cabeça de muitas pessoas, inclusive a cabecinha de nossos adolescentes e jovens. Penso que depois da leitura atenta deste texto, nossos catequistas possam esclarecer estas dúvidas diante de nossos catequizados. Se nos atentarmos bem, no final do nosso Credo rezamos assim: “Creio na vida eterna”. Bom, se afirmamos isso é porque acreditamos nisso, e acreditando não pode haver dúvidas. Para esclarecer vamos nos ater a duas fontes de Verdade, primeiro a Sagrada Escritura e segundo o Catecismo da Igreja Católica.

A maior esperança cristã é esta: a vida não termina na morte, mas continua no além. E muitos perguntam “o que virá depois? “. Somente a fé católica tem resposta clara para esta questão.

A Carta aos hebreus diz que “está determinado que os homens morram uma só vez e em seguida vem o juízo” (Hb 9,27). Para nós católicos, isso liquida de vez com a mentira da reencarnação, que engana tantas pessoas, e as deixa despreparadas diante da morte, acreditando neste erro, e com uma falsa ideia de salvação.

São Paulo ensinava aos cristãos de Corinto, muito influenciados pela mitologia grega que dominava a região, que “ao se desfazer esta tenda que habitamos neste mundo, recebemos uma casa preparada por Deus e não por mãos humanas, uma habitação eterna,  no céu ” (2Cor 5,10). Mas, Paulo não deixou de dizer que “teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo” (2Cor 5,10).

A Igreja nos ensina que logo após a morte vem o Juízo particular da pessoa. Diante da justiça perfeita de Deus, seremos julgados. Mas é preciso lembrar que o Juiz é o mesmo que chegou até o lenho da Cruz para que ninguém fosse condenado, e tivesse à sua disposição, através dos Sacramentos da Igreja, o perdão e a salvação que custaram a Sua Vida.

Afirma o nosso indispensável Catecismo que: “Cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca sua vida em relação à vida de Cristo, seja através de uma purificação, seja para entrar de imediato na felicidade do céu, seja para condenar-se de imediato para sempre” (§ 1022).

Isto mostra que imediatamente após a morte a nossa alma já terá o seu destino eterno definido: o céu, mesmo que se tenha de viver o estado de purificação antes (purgatório), ou o inferno.

Sobre o céu diz São Paulo que “o que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam” (1Cor 2,9).

O Papa Bento XII (1335-1342), assegurou através da Bula “Benedictus Deus”, que as almas de todos os santos, mesmo antes da ressurreição dos mortos e do juízo geral, já estão no céu. A Igreja, desde o tempo dos primeiros mártires acredita, sem dúvida, que eles já estão no céu, intercedendo pelos que vivem na terra. São muitos os documentos antigos que confirmam isto.

Sobre o purgatório a Igreja também não tem dúvida, já que esta verdade de fé foi confirmada em vários concílios ecumênicos da Igreja: Lião(1245), Florença (1431-1442), Trento (1545-1563), com base na Tradição e na Sagrada Escritura (1Cor 3,15; 1Pe1,7; 2Mac 12,43-46 ).

Ensina o Catecismo que: “A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados”(§1031). As almas do Purgatório já estão salvas, apenas completam a sua purificação para poderem entrar na comunhão perfeita com Deus. Diz a Carta aos hebreus que “sem a santidade, ninguém pode ver o Senhor” (cf. Hb 12,14).

Mais do que um estado de sofrimento, o Purgatório é, ensina São Francisco de Sales, doutor da Igreja, um estado de esperança, amor, confiança em Deus, e paz, embora a alma sofra para se santificar.

Para os que rejeitarem a Deus e sua graça, isto é, que deixaram o coração endurecer, o destino será a vida eterna longe de Deus, para sempre, e junto daqueles que também rejeitaram a Deus. Jesus diz que ali haverá “choro e ranger de dentes”.

É preciso dizer aqui que Jesus foi ao extremo do sacrifício humano para garantir a todos os homens a salvação; logo, Ele fará de tudo para que ninguém seja condenado. Mas Deus respeita a liberdade de cada um, e, como disse Santo Agostinho, Ele que nos criou sem precisar de nós, não pode nos salvar sem a nossa ajuda.

Ao falar do inferno, o Catecismo diz que: “Deus não predestina ninguém para o inferno; para isto é preciso uma aversão voluntária a Deus (um pecado mortal), e persistir nela até o fim. São Pedro diz que Deus “não quer que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se” (2Pe 3,9).

Se a lembrança do inferno trouxer medo ou insegurança ao seu coração, lembre-se daquilo que disse um dia São Bernardo, doutor da Igreja: “Nenhum servo de Maria será condenado”. Sem dúvida a Mãe de Deus saberá salvar aqueles que foram seus fiéis devotos aqui na terra. Ela é, afinal, a Mãe do Juiz!

A Igreja nos lembra ainda que na segunda vinda de Cristo, a Parusia, que ninguém sabe quando será, haverá o Juízo final ou geral. O Catecismo ensina que: “A ressurreição de todos os  mortos, ‘dos justos e dos injustos’ (At 24,15), antecederá o Juízo Final” (§ 1038).

O Magistério da Igreja ensina que esta será  “a hora em que todos os que repousam no sepulcro ouvirão a Sua voz e sairão, os que tiverem feito o bem para uma ressurreição da vida; os que  tiverem praticado o mal para uma ressurreição de julgamento” (Jo 5,28-29). “Então Cristo virá em sua glória e todos os seus anjos com Ele…” (Mt 25,31).

Portanto, a ressurreição dos corpos ainda não aconteceu nem mesmo para os santos. Os seus corpos ainda aguardam a ressurreição do último dia. Somente Jesus e Maria já ressuscitaram e têm seus corpos já glorificados.

Quanto a este grande Dia da volta gloriosa do Senhor, a Igreja não quer que se faça especulações sobre ele; pois o próprio Cristo o proibiu. Muitos foram enganados e a fé desacreditada por muitos que ao longo dos séculos ousaram marcar a hora da volta do Filho de Deus.

Sobre isto, o Papa João Paulo disse recentemente: “A história caminha rumo à sua meta, mas Cristo não indicou qualquer prazo cronológico. Ilusórias e desviantes são, portanto, as tentativas de previsão do fim do mundo.(L’Osservatore Romano, n.17 – 25/4/98)

Muitas vezes a Igreja já se pronunciou sobre esta questão. No Concílio ecumênico do Latrão, em 1516, assim afirmou:
“Mandamos a todos os que estão, ou futuramente estarão incumbidos da pregação, que de modo nenhum presumam afirmar ou apregoar determinada época para os males vindouros para a vinda do Anticristo ou para o dia do juízo. Com efeito a Verdade diz: “Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por Sua própria autoridade. Consta que os que até hoje ousaram afirmar tais coisas mentiram, e, por causa deles, não pouco sofreu a autoridade daqueles que pregam com retidão. Ninguém ouse predizer o futuro apelando para a Sagrada Escritura, nem afirmar o que quer que seja, como se o tivesse recebido do Espírito Santo ou de revelação particular, nem ouse apoiar-se sobre conjecturas vãs ou despropositadas. Cada  qual  deve,  segundo o preceito divino, pregar o Evangelho a toda a criatura, aprender a detestar o vício, recomendar e ensinar a prática das virtudes, a  paz e a caridade mútuas, tão recomendadas por nosso Redentor”.

Diz o nosso Catecismo: “Só o Pai conhece a hora deste Juízo, só Ele decide do seu advento. Através do seu Filho Jesus Ele pronunciará a sua palavra definitiva sobre toda a história. Conheceremos então o sentido último de toda a obra da criação”(§ 1040).

Fonte: Sagrada Escritura
             Catecismo da Igreja Católica
             http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O QUE SIGNIFICOU O DILÚVIO BÍBLICO?



Oito ensinamentos que podemos colher da passagem de Noé e o Dilúvio.

Quatro capítulos do Gênesis (6-9) narram o dilúvio bíblico e significa uma expressão do pecado que, a começar com Adão e Eva vão se alastrando cada vez mais.

Esta narração contém, como se pode notar quando se lê atentamente, repetições e contradições. Os exegetas (estudiosos da Bíblia) concluem que a narração é a fusão de dois documentos (fontes Sacerdotal P e Javista J) conservando cada qual com seus detalhes próprios, sem que o autor sagrado tivesse a preocupação de harmonizá-los entre si. Isto mostra que o autor sagrado não estava preocupado com detalhes menores, e visava sim um sentido mais profundo, uma mensagem religiosa.

Nas tradições dos povos antigos há inúmeras narrações de dilúvios. Os estudiosos contam mais de 288 histórias antigas de dilúvio, e todas com uma base comum: há uma grande catástrofe por conta de uma grande ofensa dos homens contra a divindade. O elemento do castigo que mata os homens e os animais pode ser a água, o fogo, o terremoto, etc.

Na Babilônia há quatro versões semelhantes de dilúvio, semelhantes ao da Bíblia. Note que Abraão foi oriundo da Mesopotâmia. Aos olhos da ciência é certo que não houve um único dilúvio universal, mas muitos povos guardaram a lembrança de um dilúvio local.

Quando o texto bíblico fala de “terra inteira” e “todos os homens” não fala em sentido geográfico, mas religioso, hiperbólico (Gen 41,54.57; Dt 2,25; 2Cr 20,29; At2,5) isto é, o gênero humano para o autor sagrado se reduzia àqueles que transmitiam os valores religiosos da humanidade. 

A mensagem do relato do dilúvio (Gen 6-9) quer mostrar o seguinte:

1- Deus é santo e puro;

2- Deus é justo; não pode deixar o mal imperar;

3- Deus é clemente; convida à conversão antes de corrigir;

4- O dilúvio marca o fim de um período da história religiosa da humanidade e marca o início de uma nova era; é como se fosse o início de um novo mundo, onde Deus faz aliança com Noé, o “pai” da nova humanidade;

5- Noé é uma imagem de Cristo. Noé salvou a humanidade pelo lenho da arca, Cristo vai salvá-la pelo lenho da cruz, do dilúvio do pecado.

6- A arca de Noé é uma figura da Igreja; assim como ninguém sobreviveu fora da arca, ninguém se salva fora da Igreja. Todos os que se salvam, mesmo que não pertençam à Igreja, se salvam por meio de Cristo e da Igreja, ainda que não saibam disso;

7- As águas do dilúvio são figura do Batismo, que pela água dá vida aos fiéis e apaga os pecados;

8- o dilúvio, como nova criação, prefigura “os novos céus e a nova terra” (2Pe 3,5-7.10) que haverão no fim da história

Fonte: Curso Bíblico. Prof. Felipe Aquino. Editora Cleófas.