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Por Adhemir Marthins

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segunda-feira, 11 de abril de 2016

OS PERIGOS DO RELATIVISMO RELIGIOSO

O que é o Relativismo Religioso? Quais suas consequências?


O Papa Bento XVI já falava muito do perigo da ditadura do relativismo. E o que seria? Uma mentalidade, uma cultura sem Deus, que vai se impondo no mundo, que quer expulsá-Lo do mundo, e que diz o seguinte: Não existe a verdade. A verdade, cada um faz a sua. Se aquilo é bom para você, então é uma verdade para você.
E isso é terrível, sobretudo para nós católicos. Jesus disse sim, sim; não, não. Por isso, devemos nos guiar pela Bíblia, pelo Catecismo, por todo ensinamento da verdade que a Igreja nos dá. Não podemos falsificar essa verdade, criando um cristianismo light para tentar agradar as pessoas. Não! Santo Agostinho sabiamente dizia: Não se imponha a verdade sem a caridade, mas também não se sacrifique a verdade em nome da caridade. Pensemos nisso
FONTE: http://cleofas.com.br/os-perigos-do-relativismo-religioso/

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

QUANDO SE PODE FAZER A CONFISSÃO COMUNITÁRIA?

Infelizmente tem havido abuso no emprego da Confissão Comunitária, e esta tem sido empregada fora das normas da Igreja.

Em 2006, o Papa Emérito Bento XVI falou da Confissão Comunitária e pediu aos sacerdotes para observar rigorosamente as normas da Igreja sobre o sacramento da Penitência, em particular as que afetam à absolvição coletiva.

Ao constatar «a crise do sacramento da Reconciliação» o Papa convidou os Bispos da Suíça, em visita “ad limina apostolorum” «a relançar em vossas dioceses uma pastoral penitencial que estimule a confissão individual».

O Papa disse: «Pedi a vossos sacerdotes que sejam confessores assíduos, oferecendo generosamente aos fiéis horários apropriados para a Confissão pessoal; estimulai-os para que eles mesmos se aproximem com frequência deste sacramento».

«Exortai os fiéis a aproximar-se regularmente do sacramento da Penitência, que permite descobrir o dom da misericórdia de Deus e que leva a ser misericordioso com os outros, como Ele.»

A Confissão «ajuda a formar a consciência, a lutar contra as más inclinações, a deixar-se curar por Cristo, a progredir na vida do Espírito».

O Papa convidou os sacerdotes «a observar rigorosamente as normas da Igreja sobre a absolvição coletiva», «que exigem situações verdadeiramente excepcionais para recorrer a esta forma extraordinária do sacramento da Penitência».

Estas normas, recordou, são apresentadas pelo «Motu proprio» «Misericordia Dei», publicado por João Paulo II em 7 de abril de 2002.

Segundo este documento, a «absolvição geral» ou «coletiva» tem um caráter de excepcionalidade» e não pode enviar-se com caráter geral, a não ser que se dêem duas condições. O Catecismo da Igreja explica quando se pode realizar a Confissão comunitária:

§1483 – “Em casos de necessidade grave, pode-se recorrer à celebração comunitária da reconciliação com confissão e absolvição gerais. Esta necessidade grave pode apresentar-se quando há um perigo iminente de morte sem que o ou os sacerdotes tenham tempo suficiente para ouvir a confissão de cada penitente. A necessidade grave pode também apresentar-se quando, tendo-se em vista o número dos penitentes, não havendo confessores suficientes para ouvir devidamente as confissões individuais num tempo razoável, de modo que os penitentes, sem culpa de sua parte, se veriam privados durante muito tempo da graça sacramental ou da sagrada Eucaristia. Nesse caso os fiéis devem ter, para a validade da absolvição, o propósito de confessar individualmente seus pecados no devido tempo (CDC, cân. 962,1). Cabe ao Bispo diocesano julgar-se os requisitos para a absolvição geral existem (CDC, cân. 961). Um grande concurso de fiéis por ocasião das grandes festas ou de peregrinação não constitui caso de tal necessidade grave (CDC, cân. 961,1)”.
É importante notar que a Igreja obriga a pessoa que realizou uma Confissão comunitária, se confessar com o sacerdote tão logo seja possível. Assim, a Confissão comunitária, embora válida, não substituiu a Confissão auricular.

Note também que o documento declara que «não se considera suficiente necessidade quando não se pode dispor de confessores por causa só de uma grande concorrência de penitentes, como pode suceder em uma grande festa ou peregrinação».

A primeira coisa que Jesus fez após a Ressurreição, no mesmo domingo, foi instituir o Sacramento da Confissão: “Dizendo isto soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo; aqueles a quem perdoardes os pecados, os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,22-23).

O Catecismo da Igreja ensina que: “O perdão dos pecados cometidos após o Batismo é concedido por um Sacramento próprio chamado sacramento da Conversão, da Confissão, da Penitência ou da Reconciliação”(§1486). E que “Aquele que quiser obter a reconciliação com Deus e com a Igreja deve confessar ao sacerdote todos os pecados graves que ainda não confessou e que se lembra depois de examinar cuidadosamente sua consciência” (§1493).

No mínimo uma vez ao ano todo católico deve se confessar; é um dos mandamentos da Igreja: “Todo fiel, depois de ter chegado à idade da discrição, é obrigado a confessar fielmente seus pecados graves, pelo menos uma vez por ano” (CDC, cân. 989). Aquele que tem consciência de ter cometido um pecado mortal não deve receber a Sagrada Comunhão, mesmo que esteja profundamente contrito, sem receber previamente a absolvição sacramental (Conc. Trento, DS 1647,1661), a menos que tenha um motivo grave para comungar e lhe seja impossível chegar a um confessor (CDC, cân. 916; CCEO, cân.711). As crianças devem confessar-se antes de receber a Primeira Eucaristia” (CDC, cân. 914). (§1457).

O Catecismo da Igreja chama o Sacramento da Confissão de “Sacramento de cura”. Certa vez o Papa João Paulo II disse que os consultórios de psiquiatras estão cheios porque os Confessionários estão vazios.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

DEUS É O CULPADO DO MAL QUE HÁ NO MUNDO?



A revista VEJA (n.2433 de 8/7/2015) publicou uma entrevista com o astrofísico americano Neil Degrasse Tyson, divulgador da ciência como Carl Sagan, com o título “A busca pela origem de tudo”. Lamentavelmente o cientista abandona o campo da pura ciência para opinar no campo da teologia, que ele nada entende, e age, então, como incoerente. Entre outras citações, querendo negar a existência de Deus, ele afirma que se Deus existe, então, temos de aceitar que Ele “Deixa pessoas inocentes serem atropeladas na rua… permite que uma criança morra de leucemia… Ou ainda faz vistas grossas diante de furações e vulcões que matam milhares. Se Deus está por trás de tudo, é muito bom em matanças…” (p. 18).

É triste ver um cientista que nada entende do pecado original e de teologia, opinando sem qualquer base sobre Deus e sua ação no mundo. Ora, a teologia é uma ciência, e requer capacitação nela para se tirar conclusões sobre Deus. Este cientista age como se eu, físico e matemático, quisesse opinar sobre neurociências ou obstetrícia. Eu seria um irresponsável. Se alguém quiser prescrever receitas médicas sem ser médico, será chamado de charlatão; e quem dá receitas sobre Deus e suas ações sem ter estudado teologia?

Alguém contou uma história interessante que aconteceu na Inglaterra: Um indivíduo descabelado sujo pôs-se de pé, no meio de um curioso grupo de pessoas que escutavam um pregador no Hyde Park de Londres. Dirigiu-se ao orador e fez-lhe uma pergunta que era um grito de indignação: “O senhor diz que Deus veio ao mundo faz dois mil anos… Como é possível então que o mundo continue cheio de ladrões, adúlteros e assassinos?”.

Fez-se um silêncio muito grande. Todos os que estavam presentes acharam que era uma objeção para a qual não havia resposta. Mas o pregador olhou-o serenamente e respondeu: “Tem toda a razão. Mas a água também existe há milhões de anos, e, no entanto…, repare como você está sujo!”
Assim como aquele homem podia servir-se ou não da água, nós, os homens, temos a possibilidade de usar bem ou mal da nossa liberdade; inteligência, vontade, etc.. Mas quem é responsável por essa decisão somos nós, não Deus. Deus confiou no homem, aceitou correr o risco de nos fazer livres, para sermos grandes, sua imagem e semelhança, e permitiu até que o homem pudesse usar mal dessa liberdade para se opor a Ele, como também fizeram muitos anjos.
Deus nos deu inteligência para discernir o bem do mal; colocou em nós a Consciência, a Sua voz que nos diz: “faça o bem, evite o mal”, como uma lei natural que independe de religião, crença ou nação. Deu-nos a memória para guardar o que é bom e o que é mal, e a vontade para fazer o bem e não o mal. Além de tudo Ele mostra-nos a sua bondade espelhada em todas as criaturas, especialmente em nós. Basta olharmos para dentro de nós e para fora, que veremos a bondade, o amor, a grandeza, o poder e a delicadeza de Deus.
Como a Igreja explica o mistério da “aparente impotência de Deus”? Por vezes, Deus pode parecer ausente e incapaz de impedir o mal. O sofrimento está ligado às limitações próprias das criaturas e, sobretudo, à questão do mal moral, o pecado. “O salário do pecado é a morte” (Rom 6,23).

Santo Agostinho perguntava: “De onde vem o mal?”. “Eu perguntava de onde vem o mal e não encontrava saída”, em sua própria busca sofrida não encontrara saída, a não ser em sua conversão ao Deus vivo. Pois “o mistério da iniquidade” (2 Ts 2,7) só se explica à luz do “Mistério da piedade”. É a revelação do amor divino em Cristo que nos mostra a extensão do mal e a superabundância da graça. Precisamos, pois, abordar a questão da origem do mal fixando o olhar de nossa fé Naquele que, e só Ele, é o Vencedor do mal, ensina a Igreja.

Esta é a pergunta que fazem os ateus: “Se Deus é Todo-Poderoso, Criador do mundo ordenado e bom, cuida de todas as suas criaturas, por que então o mal existe?”

Para esta pergunta misteriosa, não há uma resposta rápida. É o conjunto da fé cristã que constitui a resposta a esta pergunta. Diz o nosso Catecismo que: “Não há nenhum elemento da mensagem cristã que não seja, por uma parte, uma resposta à questão do mal.” (§309)

Alguém ainda pode perguntar: “Mas por que Deus não criou um mundo tão perfeito que nele não possa existir mal algum?”

São Tomás de Aquino responde que, segundo seu poder infinito, Deus sempre poderia criar algo melhor. “Todavia, em sua sabedoria e bondade infinitas, Deus quis livremente criar um mundo “em estado de caminhada” para sua perfeição última. Juntamente com o bem físico existe o mal físico, enquanto a criação não houver atingido sua perfeição”. (cf. CIC, §310)

Deus criou os anjos e os homens, inteligentes e livres, que devem caminhar para seu destino último livremente e por amor ao Criador. Mas podem se desviar. E, de fato, pecaram. Foi assim que o mal moral entrou no mundo, muito mais grave do que o mal físico. Deus não é de modo algum a causa do mal moral. Deus permite isso respeitando a liberdade de sua criatura, mas sabe, misteriosamente, do mal tirar o bem. Santo Agostinho disse que “Deus Todo-Poderoso…, por ser soberanamente bom, nunca deixaria qualquer mal existir em suas obras se não fosse bastante poderoso e bom para fazer resultar o bem do próprio mal” (Enchiridion 3,11).

Com o passar do tempo, Deus, em sua providência todo-poderosa, pode tirar um bem das consequências de um mal, mesmo moral, causado por suas criaturas, como, por exemplo, no caso de José do Egito. Ele foi vendido por seus irmãos, por inveja; mas Deus fez dele o governador do Egito que, mais tarde salvou o seu povo da fome.

“Não fostes vós, diz José a seus irmãos, que me enviastes para cá, foi Deus; – o mal que tínheis a intenção de fazer-me, o desígnio de Deus o mudou em bem a fim de – salvar a vida de um povo numeroso” (Gn 45,8; 50,20).

Do maior mal cometido pela humanidade, a rejeição e homicídio do Filho de Deus, por causa de nossos pecados, Deus, tirou o maior dos bens: a glorificação de Cristo e a nossa Redenção. Mas, nem por isso o mal não se converte em um bem.

FONTE: Ciência e Fé em Harmonia. Felipe Aquino. Editora Cléofas.
               Jesus Cristo é Deus? José Antonio de Laburu SJ. Edições Loyola.
               Não vos conformeis com este Mundo. Felipe Aquino. Editora Cléofas.
               Catecismo da Igreja Católica. Edição Típica Vaticana. Edições Loyola. 

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A MISSA... "O CÉU NA TERRA"



           Nós católicos temos ( e se não temos, deveríamos ter) um especial carinho pela Missa. A Missa é como um lar para nós. No entanto, a maioria dos católicos pode passar a vida inteira sem ver nada além da superfície de preces memorizadas e chegar à conclusão de que a Missa é sempre a mesma. Muitos preceitualmente estão lá de corpo presente, mas distantes e na superfície do Mistério celebrado. Muito poucos vislumbram o poderoso “drama sobrenatural” do qual participam todos os domingos. São João Paulo II chamou a Missa de “Céu na Terra”, explicando que a liturgia que celebramos na terra é uma misteriosa participação na liturgia celeste.


“Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo... Depois disso, tive uma visão: havia uma porta aberta no céu...” (Ap 3,20; 4,1)

            Realmente vamos para o céu quando participamos da Missa, e isso é verdade de toda Missa da qual participamos, independentemente da qualidade da música ou do fervor da pregação. Esta não é uma questão de aprender a “olhar para o lado bom”  de liturgias desleixadas. Isto não é sobre o desenvolvimento de uma atitude mais caridosa para alguns erros evidentes que podem acontecer durante uma celebração. Isso tudo é sobre algo que é objetivamente verdadeiro, algo tão real quanto o coração que bate dentro de nós. A Missa – e quero dizer toda Missa – é o paraíso na Terra. Se ainda não podemos ir ao céu porque estamos “vivos”, o céu vem até nós na Santa Missa. 

Ainda, a Missa não é um serviço religioso, mas o Santo Sacrifício da Eucaristia, a Divina Liturgia, não é exatamente, em sua essência, feito pelo homem, de modo algum. O padre no altar é apenas um “substituto” para o Sumo Sacerdote, para usar as palavras do ensinamento da Igreja, o padre age “In Persona Christi”, ou seja, na pessoa de Cristo. Nós não vamos à Missa para receber o corpo e o sangue do padre, claro, nem poderia dar-se a nós desta forma se o quisesse, vamos à Missa para um Comunhão com Cristo. 

Portanto, não podemos viver este Mistério em torno de Jesus Cristo, Vivo e Ressuscitado na Eucaristia e sairmos pela porta da Igreja, e cairmos na dinâmica da tentação maléfica do inferno. Acabamos de receber o Corpo e o Sangue de Jesus em nosso Corpo, Templo do Espírito Santo. Tornamo-nos momentaneamente Sacrários vivos para o Cristo Vivo dentro de nós. Seu Corpo e Sangue em nosso corpo e sangue. Sua Alma e Divindade em nossa alma, em nossa vida. É preciso estender as maravilhas do Céu que experimentamos na Santa Missa até nossas casas. 

Talvez, você pense que sua experiência semanal da Missa em sua comunidade é qualquer coisa, menos celestial. Na verdade, é uma hora desconfortável, repleta às vezes de barulho, algumas crianças chorando, músicas cantadas altas ou fora do tom, homilias sem nexo e sinuosas, risos, gente distraída com uma coisa ou outra, conversas e vizinhos de banco vestidos como se estivessem indo para um jogo de futebol, uma praia ou um pequenique. Mas ainda insisto... Participar da Missa é ir para o Céu. 

            Garanto-vos que esta não é a minha ideia, é a da Igreja. Também não é uma ideia nova; ela existe desde o dia que João teve sua visão apocalíptica. No entanto, é uma ideia que não foi acolhida pelos católicos nos últimos séculos, e eu não consigo entender isso. A maioria de nós admitirá que queremos “receber mais” da Missa. Bem, nós não recebemos mais do que o próprio céu. Pense nisso!

Fontes:
Scott Hahn, O Banquete do Cordeiro. Editora Cléofas.
Catecismo da Igreja Católica. Edição Típica Vaticana. Edições Loyola.
A Missa Parte por Parte. Pe. Luiz Cechinato. Editora Vozes.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O QUE É A SAGRADA TRADIÇÃO APOSTÓLICA?

A Santa Doutrina da Igreja Católica, Esposa do Cordeiro, onde Cristo está presente e que é um prolongamento do Mistério de sua Encarnação é o que o vamos procurar entender aqui. Igreja na qual estamos inseridos cuja cabeça é Cristo e que a torna sempre viva e ativa ao longo da História. Como nos ensina (LG, 4)  no Concilium Vaticano II, a Igreja é "Sacramento Universal da Salvação da Humanidade."

Para entendermos melhor como está firmada a fé da Igreja Católica que professamos, temos três pontos fundamentais ou pilares que a sustentam:

1. A SAGRADA ESCRITURA... A Revelação Divina Escrita.

2. A SAGRADA TRADIÇÃO... A Revelação Divina transmitida Oralmente.

3. O SAGRADO MAGISTÉRIO... O Ensinamento da Igreja.

Hoje, vamos entender mesmo que rapidamente o que significa a Tradição Apostólica. 

Em síntese, a Tradição Apostólica é tudo aquilo que veio dos Apóstolos, ou seja, tudo aquilo que ela recebeu dos Apóstolos e que a eles foi confiado diretamente pelo próprio Jesus Cristo. Não se trata de tradição dos homens, mas somente daquilo que se refere à nossa salvação, e que nos foi deixado pelo Senhor, e que não foi escrito na Bíblia. A Igreja, no Concílio Vaticano II, através de um documento chamado “Dei Verbum” reconhece que a Sagrada Tradição tem o mesmo peso de Revelação do que a Sagrada Escritura, pois vem de Cristo através dos Apóstolos e chegou até nós. Sendo assim, chamamos também a isso de Tradição Oral.

Portanto, a Igreja Católica não se guia apenas pela Bíblia (a Revelação escrita), mas também pela Revelação oral que chegou até nós sem esta última, onde nem mesmo a Bíblia existiria como a temos hoje se não fosse esta Tradição oral, ou seja, ela foi berçada e redigida pela Igreja sob a inspiração do Espírito Santo.

A transmissão do Evangelho, feita pelos Apóstolos em um primeiro momento foi por via oral e depois de forma escrita. Os Evangelhos começaram a serem escritos aproximadamente 20 anos após a morte de Jesus. No ensino oral os Apóstolos transmitiram aquelas coisas que ou receberam das palavras, da convivência e das obras de Cristo ou foram entendendo das sugestões do Espírito Santo, como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica no número 76.

Para que você compreenda ainda melhor sobre isso, leia em São João o Capítulo 21,25. E ainda:

2Ts 2,5
2Ts 2,15
2Tm 2,2
Jo20,30s

Nestes fragmentos da Sagrada Escritura fica claro para nós que os Apóstolos só escreveram o essencial da Mensagem de Cristo. E que de alguma forma a Sagrada Escritura nos encaminha para as fontes orais da Palavra de Deus.

A isso então a Igreja Chama de o DEPÓSITO DA FÉ. O que é isso? 

O Patrimônio Sagrado da nossa Fé, ou seja, tudo aquilo que está contido na Sagrada Escritura e na Sagrada Tradição Apostólica, e que foi confiado pelos Apóstolos à totalidade da Igreja do que aprenderam diretamente de Jesus Cristo.
O Santo Papa João Paulo II emitiu um documento oficial chamado "Fidei Depositum" (Depósito da fé), que explica sobre a missão da guarda da verdadeira doutrina, confiada à Igreja Católica pelo próprio Cristo e que a Igreja vêm cumprindo em todos os tempos.

Como está escrito em 1Tm 3,15, "A Igreja é a coluna e o fundamento da Verdade." Ainda em 1Tm 2,4, "Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade." Portanto, sem ouvir a Igreja não se pode chegar ao conhecimento da verdade que salva, pois a ela o Senhor confiou esta mesma verdade.

Ainda sobre este tema há muito sobre o que os primeiros Padres da Igreja (aqueles homens da Igreja que viveram entre os séculos II e VII depois de Cristo) disseram sobre a Santa Tradição da Igreja. Mas isso é assunto para outro tema relacionando à Patrística.

Fonte: A Sagrada Tradição. Prof. Felipe Aquino. Editora Cléofas.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

VIDA PARA ALÉM DA MORTE

O que acontece conosco após a morte? Existe mesmo vida depois desta experiência na terra? Será que nós morremos e voltamos outras vezes para irmos nos purificando até ficarmos perfeitos para Deus? Estas perguntas povoam a cabeça de muitas pessoas, inclusive a cabecinha de nossos adolescentes e jovens. Penso que depois da leitura atenta deste texto, nossos catequistas possam esclarecer estas dúvidas diante de nossos catequizados. Se nos atentarmos bem, no final do nosso Credo rezamos assim: “Creio na vida eterna”. Bom, se afirmamos isso é porque acreditamos nisso, e acreditando não pode haver dúvidas. Para esclarecer vamos nos ater a duas fontes de Verdade, primeiro a Sagrada Escritura e segundo o Catecismo da Igreja Católica.

A maior esperança cristã é esta: a vida não termina na morte, mas continua no além. E muitos perguntam “o que virá depois? “. Somente a fé católica tem resposta clara para esta questão.

A Carta aos hebreus diz que “está determinado que os homens morram uma só vez e em seguida vem o juízo” (Hb 9,27). Para nós católicos, isso liquida de vez com a mentira da reencarnação, que engana tantas pessoas, e as deixa despreparadas diante da morte, acreditando neste erro, e com uma falsa ideia de salvação.

São Paulo ensinava aos cristãos de Corinto, muito influenciados pela mitologia grega que dominava a região, que “ao se desfazer esta tenda que habitamos neste mundo, recebemos uma casa preparada por Deus e não por mãos humanas, uma habitação eterna,  no céu ” (2Cor 5,10). Mas, Paulo não deixou de dizer que “teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo” (2Cor 5,10).

A Igreja nos ensina que logo após a morte vem o Juízo particular da pessoa. Diante da justiça perfeita de Deus, seremos julgados. Mas é preciso lembrar que o Juiz é o mesmo que chegou até o lenho da Cruz para que ninguém fosse condenado, e tivesse à sua disposição, através dos Sacramentos da Igreja, o perdão e a salvação que custaram a Sua Vida.

Afirma o nosso indispensável Catecismo que: “Cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca sua vida em relação à vida de Cristo, seja através de uma purificação, seja para entrar de imediato na felicidade do céu, seja para condenar-se de imediato para sempre” (§ 1022).

Isto mostra que imediatamente após a morte a nossa alma já terá o seu destino eterno definido: o céu, mesmo que se tenha de viver o estado de purificação antes (purgatório), ou o inferno.

Sobre o céu diz São Paulo que “o que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam” (1Cor 2,9).

O Papa Bento XII (1335-1342), assegurou através da Bula “Benedictus Deus”, que as almas de todos os santos, mesmo antes da ressurreição dos mortos e do juízo geral, já estão no céu. A Igreja, desde o tempo dos primeiros mártires acredita, sem dúvida, que eles já estão no céu, intercedendo pelos que vivem na terra. São muitos os documentos antigos que confirmam isto.

Sobre o purgatório a Igreja também não tem dúvida, já que esta verdade de fé foi confirmada em vários concílios ecumênicos da Igreja: Lião(1245), Florença (1431-1442), Trento (1545-1563), com base na Tradição e na Sagrada Escritura (1Cor 3,15; 1Pe1,7; 2Mac 12,43-46 ).

Ensina o Catecismo que: “A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados”(§1031). As almas do Purgatório já estão salvas, apenas completam a sua purificação para poderem entrar na comunhão perfeita com Deus. Diz a Carta aos hebreus que “sem a santidade, ninguém pode ver o Senhor” (cf. Hb 12,14).

Mais do que um estado de sofrimento, o Purgatório é, ensina São Francisco de Sales, doutor da Igreja, um estado de esperança, amor, confiança em Deus, e paz, embora a alma sofra para se santificar.

Para os que rejeitarem a Deus e sua graça, isto é, que deixaram o coração endurecer, o destino será a vida eterna longe de Deus, para sempre, e junto daqueles que também rejeitaram a Deus. Jesus diz que ali haverá “choro e ranger de dentes”.

É preciso dizer aqui que Jesus foi ao extremo do sacrifício humano para garantir a todos os homens a salvação; logo, Ele fará de tudo para que ninguém seja condenado. Mas Deus respeita a liberdade de cada um, e, como disse Santo Agostinho, Ele que nos criou sem precisar de nós, não pode nos salvar sem a nossa ajuda.

Ao falar do inferno, o Catecismo diz que: “Deus não predestina ninguém para o inferno; para isto é preciso uma aversão voluntária a Deus (um pecado mortal), e persistir nela até o fim. São Pedro diz que Deus “não quer que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se” (2Pe 3,9).

Se a lembrança do inferno trouxer medo ou insegurança ao seu coração, lembre-se daquilo que disse um dia São Bernardo, doutor da Igreja: “Nenhum servo de Maria será condenado”. Sem dúvida a Mãe de Deus saberá salvar aqueles que foram seus fiéis devotos aqui na terra. Ela é, afinal, a Mãe do Juiz!

A Igreja nos lembra ainda que na segunda vinda de Cristo, a Parusia, que ninguém sabe quando será, haverá o Juízo final ou geral. O Catecismo ensina que: “A ressurreição de todos os  mortos, ‘dos justos e dos injustos’ (At 24,15), antecederá o Juízo Final” (§ 1038).

O Magistério da Igreja ensina que esta será  “a hora em que todos os que repousam no sepulcro ouvirão a Sua voz e sairão, os que tiverem feito o bem para uma ressurreição da vida; os que  tiverem praticado o mal para uma ressurreição de julgamento” (Jo 5,28-29). “Então Cristo virá em sua glória e todos os seus anjos com Ele…” (Mt 25,31).

Portanto, a ressurreição dos corpos ainda não aconteceu nem mesmo para os santos. Os seus corpos ainda aguardam a ressurreição do último dia. Somente Jesus e Maria já ressuscitaram e têm seus corpos já glorificados.

Quanto a este grande Dia da volta gloriosa do Senhor, a Igreja não quer que se faça especulações sobre ele; pois o próprio Cristo o proibiu. Muitos foram enganados e a fé desacreditada por muitos que ao longo dos séculos ousaram marcar a hora da volta do Filho de Deus.

Sobre isto, o Papa João Paulo disse recentemente: “A história caminha rumo à sua meta, mas Cristo não indicou qualquer prazo cronológico. Ilusórias e desviantes são, portanto, as tentativas de previsão do fim do mundo.(L’Osservatore Romano, n.17 – 25/4/98)

Muitas vezes a Igreja já se pronunciou sobre esta questão. No Concílio ecumênico do Latrão, em 1516, assim afirmou:
“Mandamos a todos os que estão, ou futuramente estarão incumbidos da pregação, que de modo nenhum presumam afirmar ou apregoar determinada época para os males vindouros para a vinda do Anticristo ou para o dia do juízo. Com efeito a Verdade diz: “Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por Sua própria autoridade. Consta que os que até hoje ousaram afirmar tais coisas mentiram, e, por causa deles, não pouco sofreu a autoridade daqueles que pregam com retidão. Ninguém ouse predizer o futuro apelando para a Sagrada Escritura, nem afirmar o que quer que seja, como se o tivesse recebido do Espírito Santo ou de revelação particular, nem ouse apoiar-se sobre conjecturas vãs ou despropositadas. Cada  qual  deve,  segundo o preceito divino, pregar o Evangelho a toda a criatura, aprender a detestar o vício, recomendar e ensinar a prática das virtudes, a  paz e a caridade mútuas, tão recomendadas por nosso Redentor”.

Diz o nosso Catecismo: “Só o Pai conhece a hora deste Juízo, só Ele decide do seu advento. Através do seu Filho Jesus Ele pronunciará a sua palavra definitiva sobre toda a história. Conheceremos então o sentido último de toda a obra da criação”(§ 1040).

Fonte: Sagrada Escritura
             Catecismo da Igreja Católica
             http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

QUAL O SENTIDO DOS MILAGRES?



A propósito, convém começar por esclarecer o que é milagre no sentido teológico da palavra. Milagre não é um show da Onipotência Divina, feito para extasiar os homens. Todo milagre é, antes, um sinal (Semeion) como diz São João (ver Jo 2,11.23;6,26,11,15.42…). É sinal de uma intervenção divina em resposta a uma situação difícil ou perplexa por que passam os homens.

O milagre é, pois, uma palavra ou um discurso de Deus, que quer responder aos homens de maneira mais eloquente e sensível ou persuasiva. Eis porque se requer o preenchimento de três condições para se poder falar de milagre:

1) Tratar-se de um fato histórico, real, devidamente atestado, muitas das “histórias” de milagres não são senão narrações fantasiosas, cuja origem nada há de realmente extraordinário;

2) Ser um fato real totalmente inexplicável pela ciência. Isto implica que o fato seja submetido ao exame de médicos e cientistas de qualquer corrente religiosa; caso julguem que o fato pode ser explicado, de algum modo, pela ciência, já não se pode mais falar de milagre;

3) O fato real e inexplicável pela ciência deve ter ocorrido num contexto digno de Deus, sem a procura de lucro comercial, sem charlatanismo, vã glória, etc.

Caso se preencha essas três condições – e somente então – pode-se apregoar um milagre propriamente dito.

Tais fatos ocorrem – e ocorrem com relativa frequência – na Igreja Católica em nossos dias. Basta tomar conhecimento dos processos realizados para a Beatificação ou Canonização de um(a) servo(a) de Deus para concluir que, de fato, existem curas e acontecimentos semelhantes, que a ciência não explica; só podem ter acontecido como resposta de Deus à oração dos seus fiéis, a fim de atestar ou comprovar a heroicidade de virtudes do(a) servo(a) de Deus. Então aqui se processa o exercício de uma espiritualidade e oração profunda arraigada na FÉ, ou seja, em uma profunda confiança em Deus. Em Lourdes, também ocorrem milagres notáveis, criteriosamente reconhecidos por médicos (religiosos ou ateus).

Fonte: Católicos pergunta, D. Estevão Bettencourt, OSB